"A Natureza as fez Bruxas". É o gênio próprio da Mulher, e o seu temperamento. Nasce Fada. É Sibila. Por amor é Maga. Por agudeza e perspicácia é Bruxa, e placa, engana o mal.
O paganismo grego tem o seu início na Sibila e o seu término na Bruxa. Que bárbara metamorfose! A mulher que, desde o trono de Oriente, ensinou as virtudes das plantas e o caminho das
estrelas, que em Delfi, resplandecente do deus da luz, dava oráculos ao mundo prostrado, essa mesma mulher, mil anos depois, é perseguida, humilhada, torturada, lapidada, queimada nos carvões
ardentes, caçada como se fosse besta selvagem.
Não bastam as fogueiras ao clero, nem as ofensas ao povo, nem as pedras às crianças, para contra a desgraçada. O poeta a lapida com outra pedra, ainda mais cruel para uma mulher: supõe que seja
velha e feia, mais muitas morreram mesmo por serem jovens e formosas. (...) O cura intui o perigo, identifica o inimigo: nela - a sacerdotisa da natureza - há uma rivalidade temível.
Se inventam torturas e tormentos para ela. A condenam por uma palavra. Em certas épocas, o ódio, os ciúmes femininos e a cobiça masculina matam a capricho usando uma arma tão
cómoda: é inteligente? Pois é bruxa. É linda? Pois é bruxa. (J.Michelet, historiador francês)

A psiquiatria, seguindo essas pegadas obscurantistas, aplica os mesmos procedimentos: purga a alma da "bruxa" com longos jejuns, a castiga com constância, a tortura, a viola, a insulta, a humilha para que não queime no orgulho e triunfe na fogueira. Finalmente, a entrega humilde e mansa a um mundo rigorosamente delimitado pelos confins angustos da "normalidade".
O filho da Bruxa, menino inteligente, sabe responder a tom. Responde a Jesús, tão oprimido por seus santos insossos, e o distrai. O maldito bastardo não aguarda, está em busca e nunca para, é de espírito curioso e desejoso de saber coisas, ri do Consummatum est, o seu lema é "além" e "adiante". O céu tira, ele recolhe: a Igreja descarta a Natureza por impura e suspeitosa, o filho da Bruxa a cultiva e a desfruta, faz brotar artes; a igreja descarta a Livre Razão, ele a agarra com avidez ( J.Michelet)





