
Psiquiatria:
tentação à tinto brass
Palavra fragmentada,
vértice e abismo do meu silêncio,
criadora de espaços de infinitas dimensões
(...) A palavra fragmentada é uma palavra que tolera o paradoxo e ignora a contradição. A palavra fragmentada ignora a contradição até quando contradiz: dois textos fragmentados não "se opõem" mas
"se põem", um trás outro, sem relação alguma, e confrontam-se com aquele espaço branco indeterminado que não os separa, não os une, mais os leva ao limite que eles designam (...)
Enquanto a palavra totalizadora não ama o silêncio, a palavra fragmentada precisa, para respirar, de amplas margens de silêncio, é uma palavra intermitente, feita de "cheio" e "vazio" que vive graças ao silêncio (...)
A palavra nômade é uma palavra que privilegia a descontinuidade, é uma palavra que quase é impossível agarrar sem alterar, é uma palavra inevitávelmente enigmática, ambigua, escura, está na fronteira da linguagem. Em resumo, é uma palavra que respeita as diferenças, que ama a análise, não é uma palavra asistemática mas anti-sistemática (Blanchot)






